Vários meses já se passaram desde o programa piloto “Ciência de rua”, e o sucesso do programa, podemos mesmo dizer com confiança…foi nulo!
E porquê?
Porque o programa nunca foi para o ar!
Quim, Tizé e companhia nunca conseguiram sequer obter a opinião de um ouvinte (nem voluntário, nem forçado), porque nunca ninguém o ouviu!
O que aconteceu?
O que muitas vezes acontece em Portugal. Apesar de existirem bons projectos, a falta de planeamento e capacidade de concretização leva a que esses projectos nunca se tornem realidade!
O caso da rádio onde trabalhava o Quim, que se queria moderna, multitemática, com uma grande vertente cultural, científica e tecnológica, mas orientada para as massas e não para uma pequena elite, acabou por agudizar na falta de…verbas!
Os principais investidores não calcularam o real custo de manter uma rádio, mesmo que local e sendo maioritariamente “desenhada” para a transmissão através da internet.
Quando a direcção finalmente se apercebeu da real situação, entre todo o entusiasmo que percorria o estúdio e seus colaboradores, que até mesmo à direcção afectou o discernimento, já foi tarde de mais. Ainda tentaram candidatar-se a subsídios estatais (como todas as instituições fazem em Portugal, apesar de esta direcção ter tido sempre a intenção de manter-se subsídio-independente), mas sem sucesso.
Assim, e como nunca se lembraram de criar um departamento de contabilidade (sim, é verdade!), quando finalmente estabeleceram um plano financeiro para a empresa, verificaram que apenas tinham fundos para pagar as dívidas que já tinham acumulado. Deste modo, em reunião geral, e apesar da disposição de muitos em trabalhar com redução salarial, ficou decidido que a empresa abriria falência.
O programa piloto sobre o comboio TGV, e a primeira participação do Tizé num programa de rádio nunca “veria a luz do dia”!
E os nossos protagonistas?
Bem…o Tizé na realidade, não ficou muito abalado, porque de facto nunca teve grandes esperanças sobre o projecto, e nas suas próprias palavras para o Quim “Não te preocupes em desculpar-te, eu sempre achei que isto não ia dar em muito. Quem sou eu para alguém me querer ouvir?”. A estas palavras, o Quim tentou ripostar referindo, que não se tratou de uma questão de qualidade, mas simplesmente de uma questão financeira, e que na opinião dele o programa tinha muito mérito, tentando trazer uma lufada de ar fresco ao típico programa de divulgação de ciência.
Mas a verdade é que o Tizé manteve a típica postura céptica que as pessoas da sua idade muitas vezes apresentam para com os mais “jovens”, ou nas suas palavras “ainda tens o sangue na guelra, como eu tinha há muitos anos”.
De facto, uma parte de Tizé estava até contente, porque podia voltar para o Gaivota, sem receio de ser gozado pelos seus habituais companheiros de café. Podia retornar para a sua vida sem grandes sobressaltos, e para um caderno que ninguém conhece e que só para ele tem importância.
O Quim, por sua vez, ficou literalmente desfeito nos dias a seguir à reunião geral, mesmo nunca o tendo demonstrado directamente ao Tizé ou aos seus colegas de rádio.
E até hoje, nunca abandonou a ideia de moderar um programa com a temática da divulgação de ciência e de tecnologia.
E o que está o Quim a fazer hoje?
A relatar o trânsito e o tempo para uma rádio de difusão nacional!
Da boca do Quim nunca se ouviu a mais pequena reclamação sobre esta posição, porque conseguiu trabalho e ele, como toda a gente, “precisa de comer”. Mas, na verdade, sente-se de alguma forma incompleto.
As suas movimentações têm sido sempre no sentido de conseguir novamente um programa que o leve a desafiar-se intelectualmente, e que possa trazer algo de realmente novo para o público. Inclusivamente teve já várias reuniões com directores de programas neste sentido, e podemos dizer que, após muita insistência, encontrou algumas aberturas, mas nada ainda de definitivo.
Assim, para se manter “entretido intelectualmente”, e seguindo as pegadas do Tizé, decidiu ir reunindo as suas notas sobre possíveis temas para eventuais programas de rádio, colunas na imprensa, ou mesmo televisão!
O Quim tem-se andado a preparar para tudo: “… nunca se sabe quando surge a oportunidade, e quero estar preparado para ela…”.
